A fundação domais querido de Minas
- Jorge Angrisano Santana
- 2 de jan.
- 4 min de leitura
Dois em cada três torcedores mineiros são cruzeirenses. Segundo pesquisas recentes do Datafolha e do Ibope, o Cruzeiro tem a maior torcida de Belo Horizonte (cidade e região metropolitana) e do interior de Minas. É a quarta maior do Sudeste (superada pelas do Flamengo, Corinthians e São Paulo) e a sexta maior do país (nesse caso, superada também pelas do Palmeiras e Vasco). A paixão desta torcida, aqui representada por alguns de seus personagens notáveis, é o que tento revelar neste livro.
Os capítulos estão, na medida do possível, na ordem em que os personagens aparecem na história do clube. Mas o livro pode ser lido sem ordem alguma. Em qualquer página, o leitor encontrará alguma história ou informação que o ajudará a compor a história do Cruzeiro. Clube que, neste espaço, combinemos, desde já, será um ente maior do que seu ordenamento jurídico, patrimonial, histórico e comercial. Uma entidade que só revela sua verdadeira face na soma de mentes e corações de seus torcedores.
Foram dois anos de entrevistando dezenas de palestrinos e cruzeirenses. Ao final da maratona, eu tinha cem perfis de personalidades da vida do clube. Mas como o formato da coleção não permitia livro tão alentado e também porque seria preciso reservar espaço para as fotos, fui obrigado a escolher alguns personagens. O que me custou mais quatro meses de sofrimento.
Haverá quem conteste as escolhas. Terá faltado essa ou aquela personalidade. Ou quem reclame da inclusão de alguns ou a falta de outros que considere mais relevantes. Aceito as críticas, mas lembro que não me propus a contar a história do clube de forma linear, mas, antes, falar da paixão de uma nação, da qual extraí uma pequena amostra.
Aqui, torcedores, craques e dirigentes recebem tratamento igual. No futebol, o que conta é o quanto desse inexplicável amor, que leva à alegria e à dor de torcer, possui cada membro de sua comunidade. Nesse mundo, geraldinos e arquibaldos valem tanto quanto cartolas e craques.
Recorri às minhas e às memórias dos entrevistados, a jornais, revistas, sites, programas de rádio e televisão, a conversas com amigos e às críticas dos rivais. E tenho que agradecer a generosidade infinita dos que me ajudaram e me suportaram. Dos que deixaram afazeres para informar, ler, corrigir e comentar o trabalho, gente que relaciono no final do livro.
Quanto ao título, o leitor deve ter percebido, tomei emprestado das letras dos dois hinos mais famosos do país: o brasileiro e o cruzeirense.
P.S.: Nesta segunda edição, revista e ampliada, troquei o capítulo da primeira que homenageava do time do segundo título brasileiro (sem contar as quatro copas do Brasil) conquistado pelo Cruzeiro em 2003, pelo do primeiro, a Taça Brasil de 1966, certamente o mais importante da história celeste. E, para que a homenagem, não ficasse incompleta, incluí capítulos sobre os personagens mais importantes daquela epopéia de 30 partidas que incluiu o Mineiro de 1965, classificatório para o torneio nacional do ano seguinte.
A fundação do clube mais querido de Minas
Em busca do clube italiano
Os italianos começaram a chegar a Belo Horizonte por volta de 1893 para formar as colônias do cinturão verde da cidade em construção. Vinham, quase sempre, das mesmas comunas. Muitas delas desaparecidas nesse processo migratório.
Após a instalação da Capital em 1897, o fluxo migratório deixou de ser organizado pelo governo mineiro. Os novos imigrantes passaram, então, a vir de todas as regiões da recém unificada Itália. Por causa dessa tardia unificação, muitos italianos continuavam falando dialetos regionais, o que talvez explique a dificuldade para se reunirem num clube próprio. Clube como o que os árabes do Syrio Horizontino, os portugueses do Luzitano e os ingleses do Morro Velho, de Nova Lima, logo organizaram.
O Americano Foot Ball Club, que jogou poucas partidas em 1907, foi a primeira tentativa de se criar um clube italiano em Belo Horizonte. Como não deu certo, os jovens “oriundi” dispersaram-se pelos demais clubes da cidade. O Yale, fundado em 1910, no Barro Preto, foi o que recebeu a maioria deles.
Em 1916, organizou-se o Scratch Italiano, que também não foi muito longe. Em 1918, inspirados no Palestra Itália, fundado, quatro anos antes, em São Paulo, trabalhadores italianos tentaram criar o Palestra Brazil, que também não vingou.
Somente em 1920, quando o Yale entrou em crise técnica e administrativa, o sonho dos imigrantes peninsulares começou a se materializar. Alguns de seus jogadores reativaram o antigo projeto. E, dessa vez, tudo conspirou a favor. Tendo se tornado a língua comum dos filhos de italianos, o português facilitou a comunicação entre eles. Além disso, o sucesso do Palestra Itália paulista inspirou a juventude da colônia em Belo Horizonte.
Essa confluência de fatores animou a rapaziada do Yale que, depois do trabalho, se reunia nos fundos da Casa Ranieri, na Rua dos Caetés. Foram eles que pediram apoio ao cônsul Lorenzo Nicolai e aos italianos ricos para a empreitada. E como receberam incentivo de todos a quem procuraram, marcaram reunião para 20 de dezembro de 1920 na Società Italiana di Mùtuo Soccorso Dante Alighieri, Rua Tamoios, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse encontro, cuja ata foi assinada por 72 desportistas, fez-se o balanço do movimento e decidiu-se pela convocação de uma assembléia de fundação duas semanas depois, no mesmo local.
O prédio da Società Dante Alighieri foi demolido para dar lugar à Casa D’Italia, que seria desapropriada e entregue à Assembléia Legislativa de Minas Gerais em 1942. Quando a Assembléia mudou-se para o bairro Santo Agostinho, o prédio passou para a Câmara de Vereadores. Na metade dos anos 90, ele foi demolido para a construção de um hotel.
A assembléia de fundação da Società Sportiva Palestra Itália, em 2 de janeiro, decidiu que:
• as cores do clube seriam o verde, o vermelho e o branco;
• só italianos e seus descendentes poderiam se associar (cláusula revogada em 1925 na gestão de Braz Pellegrino, pai do psicanalista Hélio Pellegrino);
• a mensalidade seria de 3$000 para sócios e atletas e
• todos os que aderissem ao quadro social naquele janeiro teriam status de sócio-fundadores.
A primeira diretoria, eleita por aclamação, era composta por:
• Aurélio Noce, presidente,
• Giuseppe Perona, vice,
• Bruno Piancastelli, secretário,
• Aristóteles Lodi, tesoureiro.
• João Ranieri, Domingos Spagnuolo e Antonio Pace, Comissão de Esportes.
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PÁGINAS HEROICAS, Editora DBA, 2003.



CRUZEIRO x Barra, 03jan25sab21h30, Lancha Filho, Franca, 1ª rodada do Gruppo13 da Copa SP de Futebol Júnior 2026.
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TEMPO limpo, temperatura 23º, vento 8 Km/h, umidade 82%.
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TRANSMISSÃO: Cazé, no Yiutube.
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ARBITRAGEM: Guilherme Francisco Weber (SP+
Cruzeiro terminou a temporada com um time titular praticamente azeitado, que faltava uma ou outra coisinha, além de melhores peças para o banco. Mas parece, que o novo treineiro vai implodir tudo, em nome de sua vaidade do time ter sua assinatura. Não renovou com Bolasie e imediatamente traz Chico da Costa, um cara de 30 anos, que não se firmou em lugar algum, vai trazer Gerson, que tecnicamente dispensa comentários, porém, uma contratação cara é que chegará com status de estrela e não virá para ficar no banco. Bom senso, é algo que não existe no futebol.
Gerson começou como ponta esquerda no Flu, mas se encontrou como segundo
homem de meio-de-campo no Fla com Jorge Jesus. Depois desse período, viveu sua melhor fase como homem aberto pela direita com o Tite e depois com Filipe Luís. É um jogador de passadas largas, mas de fato não é veloz.
Trump não presta. Posto isso, hoje é um grande dia pros venezuelanos. O país se viu livre de um ditador e de uma gangue de paramilitares. Uma mistura indigesta de ideologia jurássica com narcotráfico.