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Piorra, a arte de jogar brincando

5 de set.
3 min de leitura

Belo Horizonte, 31mai06; 09jun02


O right-winger recebe a bola rente à lateral, ajeita-a com um leve toque, e com ela colada aos pés, inicia uma corrida maluca perseguido pelo left-half. Subitamente, ele pisa na bola e seu perseguidor segue em frente. Quando consegue voltar à disputa, o o half surpreende-se com o giro do winger sobre o próprio eixo sempre com a gorduchinha presa sob a chuteira. A torcida dá gargalhada, Concluída a pirueta, o baixinho, de 1,65m, reinicia a corrida, que só termina na linha de fundo com um centro perfeito para a área.


Estamos numa tarde de 1922 e o Palestra treina no Prado Mineiro (hoje, Departamento de Instrução da Polícia Militar, no Prado). Vendo o garoto driblar, alguém grita: “Parece uma piorra!” E o driblador ganha seu terceiro e definitivo nome: Piorra. Cinco minutos antes, ele era apenas o italianinho Américo, um dos muitos garotos do Barro Preto que assistem aos treinos do Palestra Itália.


Naquela tarde, antes de iniciar o treino, o técnico pediu à turma do barranco que circundava os campos do Prado Mineiro a indicação de um jogador pra completar o time. O italianinho, que os peladeiros do Barro Preto, Calafate e Prado já conheciam bem foi o escolhido.


Brasileiro e italiano, ele nasceu em Belo Horizonte e foi batizado Ricardo Pieri. Aos seis meses, mudou-se com a mãe para Lucca, na Toscana. Lá foi novamente registrado, agora, como Américo Pieri. Três anos mais tarde, voltou, com dois nomes e duas nacionalidades, confusão que só se desfez aos 26 anos. Mas aí ele já era o famoso Piorra, o winger que a torcida nunca sabia se estava jogando ou brincando.


A única camisa de Piorra foi a tricolor do Palestra. Com ela, jogou 190 vezes, marcou 41 gols e preparou dezenas de outros. Foi campeão de aspirantes em 22, virou titular em 23, voltou a ser campeão em 26. Sua melhor fase aconteceu no tricampeonato de 28/29/30 jogando ao lado de Ninão, Carazo, Bengala e Armandinho. Este ataque metia tanto medo que, após 13 vitórias em 13 jogos, o Palestra teve que fechar a campanha de 1930 com um WO sobre o Atlético. Amedrontados com o poderio do Palestra, os “riscados” simplesmente não apareceram para jogar.


o Palestra 14 x 0 Alves Nogueira, domingo, 17jun28, 15h30, Palestra Itália, no Barro Preto, Belo Horizonte, pela 4ª rodada do Campeonato Mineiro (a imprensa o chamava Campeonato da Cidade, embora fosse disputado, também por clubes de Sabará e Nova Lima) – Juiz: João Máximo de Paula – Gols: 10 de Ninão, 3 de Bengala, 1 de Zezinho – Palestra: Geraldo Cantini, Pára-raio e Nereu; Morganti, Osti e Nininho; Piorra, Ninão, Zezinho, Bengala e Morgantinho. Tec: Matturi Fabbi. – Alves Nogueira: Candu, Daniel e Nelson; Jair, Borges e Gilette; Ary, Gil, Senna, Amílcar e José. – Nota – Maior goleada do Palestra/Cruzeiro em jogos oficiais.


Piorra foi titular de várias seleções mineiras e foi convidado a jogar no Mackenzie, de São Paulo. Mas ele só via futuro na profissão de marceneiro, que aprendeu com Victor Mancini, dirigente palestrino. Estava certo. Tanto que se tornou um dos líderes do setor moveleiro de Belo Horizonte.


Aos 95 anos, Piorra gostava de se lembrar do futebol dos anos 20 e 30: “O jogo era pesado, com trancos e muita disputa pela bola, mas entrada maldosa, por baixo, ninguém aceitava. Se alguém batia por maldade, o tumulto no final do jogo era certo.” Uma vez, em Nova Lima, ele trocou pontapés com Geninho. A torcida invadiu o gramado e o banco do Palestra saiu em sua defesa. Por sorte, antes de começar a pancadaria, o lateral do Villa abraçou-se a Piorra e confessou: “Deixem o menino em paz; fui eu quem bati primeiro.” Jogava-se por amor à camisa. Havia respeito. A rivalidade ainda não gerava ódios. As vitórias eram comemoradas com chope, banquetes e bailes. Os atletas ganhavam ternos, chapéus, sapatos, gravatas e até bilhetes de loteria como recompensa por seus feitos.


Apesar do prazer que sentia jogando futebol, Piorra parou aos 32 anos. Sofria de catarata e não se adaptava aos jogos noturnos, que os sistemas de iluminação tornaram corriqueiros nos anos 30.


Encerrada a carreira, ele só se dedicou à marcenaria e à família. Com sua mulher, Joana, teve onze filhos, todos com nomes iniciados com a letra P. P de Pieri ou de Piorra? Nada disso, “P de Palestra, mesmo!”, ele explica com uma risada parecida com as que arrancava dos torcedores.

46 comentários


COXA 1-2 MIRA

FLU 1-0 BOTA\

BRAGA 2-3 BAEA

SAMPA 2-0 FRANGA

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Yoga é uma prática antiga que vem da Índia e visa harmonizar o corpo, mente e espírito. É uma forma de exercício que combina movimentos físicos, respiração e meditação para promover bem-estar e equilíbrio. O Yoga também ajuda a fortalecer os músculos, melhorar a flexibilidade e reduzir o estresse. É uma maneira holística de cuidar de si mesmo, tanto fisicamente quanto mentalmente.A prática regular pode ajudar a reduzir o estresse, melhorar a qualidade do sono e promover uma sensação geral de calma e contentamento.

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Respondendo a

DICA PARA TERMOCÉFALOS E CONSPIRADÕES.

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ATHLETICO-PR

Suspensos: Benavídez

Lesionados: Claudinho

Time provável: Mycael; Dantas, Aguirre e Arthur Dias; Gilberto, Luiz Gustavo, Jadson, Leozinho, João Cruz e Mendoza; Viveros

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Lucas
Lucas
06 de set.

A continuar assim Esse treineiro não fica até o o brasileiro do ano que vem. Cai antes, no rural.

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Respondendo a

YOGA PODE TE AJUDAR. PENSE NISTO.

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Lucas
Lucas
06 de set.

Matheusinho é intenso por acaso?

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